Eu só queria ficar debaixo do chuveiro. Talvez na esperança de que as lágrimas se confundissem com a água do banho e fossem esquecidas, talvez na esperança de não ter que encarar o mundo e poder esquecer o que tinha acabado de ouvir.
O vontade era não ter atendido aquela ligação, na falsa tentativa de retardar a notícia. A vida estava bem melhor momentos atrás, porque aquilo tinha que ter acontecido? Sabia que era inevitável mas já se adiava por tanto tempo, porque não adiá-lo mais?
Aquelas lágrimas eram tão profundas que não tinham que ser presenciadas por ninguém, nisso o banho ajudava. Doía pensar no meu interior e doía ainda mais pensar em algumas outras pessoas. Estava destruído como poderia dar atenção a quem merecia?
Faltavam várias informações. Será que apareceriam com o tempo ou seriam apenas as primeiras de muitas a sumirem?
O mundo estava diferente a partir daquele instante. Abriu-se um buraco que nunca mais será preenchido. Perdi mais que um avô. Perdi um amigo, um contador de histórias, um comentarista de futebol dos mais exigentes e meu melhor parceiro na mesa de baralho.
Lembro-me como se foi ontem as primeiras vezes que jogamos de parceiro. Eu ,ainda criança, conseuguia ganhar de adultos com você como parceiro. Você era minha referência no jogo e em muitos outros aspectos na vida.
Nunca te esquecerei...
Lembro-me como se foi ontem as primeiras vezes que jogamos de parceiro. Eu ,ainda criança, conseuguia ganhar de adultos com você como parceiro. Você era minha referência no jogo e em muitos outros aspectos na vida.
Nunca te esquecerei...
Jean Michell Santiago